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Notícias: Internacionais

Aqui, o amor é ilegal
2018-04-26

Imaginem que o amor que sentem por alguém levava a que fosse condenados a pena de morte. Ou que o facto de terem tido relações sexuais com determinada pessoa era razão para serem presos e torturados. Ou que um namoro era o suficiente, ora para serem repudiados pelas vossas famílias, ora para não conseguirem ter acesso à carreira profissional que desejam. Mundo fora isto ainda acontece. Em rescaldo da celebração de uma liberdade que tendemos a achar que é um dado adquirido, partilho convosco a paǵina Where Love is Illegal que conta, na primeira pessoa, histórias de pessoas que não têm a liberdade para amar. Nem para serem quem são.

Daria, uma jovem russa, foi espancada com tacos de basebol por um grupo de homens que lhe queria dar uma lição. Quando foi apresentar queixa à polícia, o seu relato foi negado quando explicou que a motivação de tal agressão era o facto de ser lésbica. Gabriel é um jovem nigeriano que foi preso por ser homossexual. Passou 40 dias atrás das grades, onde foi humilhado e violentamente torturado com cabos elétricos por um grupo de polícias. Khalaf nasceu na Jordânia, mas teve de fugir do seu país porque, quando contou à família que era homossexual, o irmão ameaçou-o de morte. Khalaf foi considerado “a desonra da família” e devia morrer por isso. Estas são apenas três das duríssimas histórias relatadas na página do projeto Where Love is Illegal, e que também podem ser encontradas via Instagram.

O MUNDO AINDA NÃO É UM SÍTIO JUSTO E IGUALITÁRIO
Where Love is Illegal começou há três anos e tem o objetivo de nos relembrar que o mundo está longe de ser um sítio justo e livre para a comunidada LGBTI. Direitos humanos básicos continuam a ser negados a milhões de pessoas: ao todo, são mais de 70 os países que ainda criminalizam o facto de uma pessoa ser homossexual, lésbica, bissexual, transgénero ou intersexos. E mesmo nos países onde as leis protegem estas pessoas, muitas delas são alvo de preconceitos totalmente enraizados que afetam inequivocamente o rumo das suas vidas. São milhões de pessoas que se veem diariamente privadas do direito à sua individualidade, não podemos esquecer isto. Pessoas que não podem viver livremente o romance, o erotismo, a sexualidade, o desejo, o casamento, o namoro, a partilha, o amor. Milhões de pessoas que são discriminadas, repudiadas, humilhadas, violentadas na sua verdade. Pessoas que têm de fingir ser quem não são para se adaptarem, independentemente do sofrimento que isso lhes cause, àquilo que dezenas de sociedades mundo fora exigem e esperam que elas sejam. Custe o que custar.

Das penas de prisão às sentenças de morte, das chamadas 'violações corretivas' aos 'crimes de honra', do bullying aos internamentos em alas psiquitátricas, das agressões físicas às falhas constantes da lei e da justiça em matérias de igualdade, ainda há muito, mesmo muito caminho a fazer no que toca à defesa dos direitos LGBTI mundo fora. Por cá, nunca é também demais relembrar que, por exemplo, só nos anos 80 é que a homossexualidade foi descriminalizada. Antes disso, foram muitas as pessoas a sofrerem verdadeiras perseguições, internamentos e trabalhos forçados por supostos crimes de "prática de vícios contra a natureza". Só em 1999 é que homossexuais e bissexuais poderam fazer parte do exército, por exemplo. Só em 2004 é que a orientação sexual, enquanto princípio para a igualdade, passou a fazer parte da nossa Constituição. E só em 2010 é que o casamento entre pessoas do mesmo sexo passou a ser legal, algo que ainda não acontece sequer em todos os países da Europa. Tudo isto aconteceu num passado super recente, portanto não é demais relembrar que a herança socio-cultural que vem de séculos de história continua a ser fortíssima e a ter muito peso.

Para ajudar a quebrar estereótipos e silêncios, este magnífico projeto tenta aproximar as pessoas através de histórias de vida. Relatos de resiliência, coragem e esperança (deixo-vos alguns em baixo, mas não há nada como espreitarem o site), que têm o condão de nos pôr a refletir sobre a importância da liberdade. Não percam a embalagem das celebrações de ontem, e continuem a pensar nela hoje. Respeitar e proteger ativamente a igualdade dentro da diferença faz parte do caminho.

In Expresso.

 
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