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Sida. 5 dos prostitutos que têm relações com outros homens têm HIV
2011-03-29

Pelo menos 5 dos prostitutos - homens, mulheres ou transgéneros - estão infectados com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). A percentagem de infectados com HIV é igual - 5 - entre os homens que têm sexo com outros homens, independentemente de serem ou não profissionais do sexo.

As conclusões são de dois estudos apresentados ontem numa conferência sobre infecção pelo HIV entre grupos de difícil acesso, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa. Em cada um dos estudos foram inquiridas cerca de mil pessoas, através de entrevistas presenciais feitas por 50 pessoas formadas para aplicarem o questionário. Esta foi a primeira vez que se estudou em Portugal estes grupos de difícil acesso, numa parceria entre a sociedade civil e uma universidade.

Os resultados mostram que mais de um quarto dos homens com menos de 24 anos que tem relações sexuais com outros homens - 25,8 - praticou sexo anal antes de completar 15 anos. O número sobe para 51,9 no caso dos indivíduos com menos de 24 que tiveram relações sexuais, com ou sem coito anal, antes dos 15.

Estes dados, que evidenciam que a vida sexual se inicia cada vez mais cedo também dentro destes grupos, são um sinal de que "é necessário rever as políticas de saúde pública" e "disponibilizar testes para despiste de infecção a pessoas menores", afirma Luís Mendão, do Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/Sida (GAT): "Não acreditamos em campanhas de abstenção sexual até determinadas idades. Se esta é a realidade, precisamos é de alertar para as consequências e trabalhar na prevenção", acrescenta o presidente do GAT.

Sónia Dias, professora do Instituto de Higiene e Medicina Tropical que apresentou o primeiro estudo, frisa que todos os dados precisam ainda de ser trabalhados, não sendo possível ainda adiantar quais as razões que explicam a elevada percentagem de homens com mais de 24 anos que teve sexo anal antes dos 15.

"O número é preocupante. É importante perceber quantos destes casos se devem a situações de abuso sexual ou de incitamento à prostituição e quantos efectivamente se referem a relações sem qualquer tipo de coacção", sugere Luís Mendão.

Preservativo ou abstenção A esmagadora maioria dos prostitutos homens, mulheres e transgéneros (96,9) disse ter usado preservativo na última relação sexual. O número desce drasticamente para os 18 no caso dos homens que têm sexo com outros homens.

Entre os profissionais do sexo, 9,7 das mulheres, 12,2 dos homens e 11,4 dos transgéneres respondeu ter tido relações forçadas no último ano. Segundo os estudos, 96,7 dos inquiridos elegem o preservativo como método de prevenir o contágio e há ainda 60 que indicam a abstinência sexual como forma de prevenção.

Pega-se com um espirro? As percepções incorrectas sobre as formas de transmissão do vírus são a maior preocupação de activistas e investigadores ligados ao estudo. Luís Mendão reconhece que o número de pessoas que continua a desconhecer os riscos e as vias de contágio do vírus é "assustador": "Ainda há muita gente convencida de que através de um espirro ou de uma picada de um insecto se pode transmitir o HIV."

A investigadora Sónia Dias não duvida de que esta é a principal questão a ser trabalhada "porque provoca estigmatização".

No estudo que inquiriu homens que têm sexo com outros homens, uma "grande percentagem" de inquiridos indica as picadas de insecto, os beijos, a tosse ou os espirros como formas de infecção com o vírus da sida.

Um quarto destes homens não considera ou tem dúvidas sobre se o sexo oral sem preservativo não é uma forma de transmissão do vírus.

in i online, 29 Março 2011

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